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Casa das Tias de Nemésio

A Casa das Tias, um edifício histórico, que remonta ao século XVIII, reconstruída depois do terramoto de 1841, sofreu obras de reabilitação que lhe permitem continuar a perpetuar a memória do escritor, natural da ilha Terceira e "pai" do termo “açorianidade”.
É uma casa vistosa e que chama de imediato a atenção pelas suas dez janelas e pela longa varanda da fachada. Segundo Nemésio «A casa das tias (conta Mateus Queimado) era o recesso da minha vida. (…) Era um casarão confortável, quase um palácio. Com as suas dez janelas rasgadas sobre a sacada de rexas, a que lá chamam ralos, fitava a Igreja do Senhor Jesus das Misericórdias, que parecia tratar de potência a potência.
A casa era propriedade de duas tias de Nemésio, que lhe pagaram os estudos universitários. Vitorino Nemésio passou grande parte da sua infância e juventude nesta casa, ali regressando quando vinha de férias.
Por diversas vezes, nas suas obras, Nemésio faz referências à casa das suas tias:
«Nado e criado na Praia, não posso esquecer o pobre torrão vulcânico onde as suas areias se aninham. Aí abri os olhos pela primeira vez à vida. Aí amei, sofri, folguei, e aí descansam, entre tantos mortos queridos, os ossos já brancos de meu Pai. […] Uma das scenas da minha infância que me ficou gravada a fogo é a da procissão em memória da caída da Praia, em Junho. Eu tenho família em frente da Misericórdia e da varanda dessa casa via sair os penitentes.
Nos seus textos, Nemésio parece tentar pintar-nos um quadro ao narrar «A casa das tias era comprida e profunda como um quartel ou um convento. Os meus passos picados acordavam as tábuas do corredor e dos quartos enfiados uns nos outros. Havia mesinhas de abas articuladas à parede ao longo do percurso, onde à noite brilhavam as luzes de petróleo em bateria. Dois loiceiros de canto, como num refeitório de bordo, balizavam um quarto estreito de onde a casa inflectia na direcção do mar. No quarto de jantar, chamado do Pão por Deus, um mesão de botica estava atravancado de porcelanas e de faianças desirmanadas. No quarto lajedo, um guarda-roupa profundo abrigava os mantos, os xales, os cachenés da vida antiga. Na cozinha, o talhão e a lareira. No quarto da farinha, as peneiras e a cesta da cadela, que, parida uma vez por ano, ficava eriçada de zelo e pesada de amojo. Enfim a despensa escura – paraíso de damascos e bananas, além de ser cárcere privado das minhas iniquidades.
A Casa das Tias de Nemésio foi, posteriormente, adquirida pelo Município da Praia da Vitória a 31 de Dezembro de 1986, tendo ficado ao abandono por diversos anos.
Em termos arquitectónicos, o edifício da BMSR é composto por dois pisos:

O rés-do-chão possui um átrio, onde se realiza o atendimento e encaminhamento do leitor, e duas salas de livre acesso, uma, que se destina ao serviço de referência infanto-juvenil e espaço multimédia, e outra, para o serviço de referência de adultos, com espaço para leitura e acesso à internet;

O 1º piso possui um Auditório onde se realizam as sessões da Assembleia Municipal e outros eventos culturais, um Depósito de Reservados, onde estão reunidos dois grandes espólios: o de José Silvestre Ribeiro, patrono desta Biblioteca e o do Dr. António Cabral, jurista, que doou a sua biblioteca pessoal a esta instituição, ambos devidamente catalogados e aclimatizados de modo a não sofrerem deterioração com o passar do tempo, e ainda, um Gabinete de Coordenação, uma sala de Tratamento Documental e uma Sala de Apoio. Foi preservada a traça histórica deste edifício mantendo-se o forno, as pias e o tanque, no pátio.
Este espaço dá acesso ao jardim, onde são realizadas diversas actividades pedagógicas, maioritariamente, durante o Verão.

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